Minhas filhas não voam – limitações e expectativas

Por Bárbara Zimmermann
Quando se fala em deficiência, geralmente fazemos duas associações: ou a pessoa é dependente de ajuda externa (e quem não é?) ou ela é um ícone de superação.

Por que minha filha deve mostrar pra alguém que ela superou sua própria limitação? Por que essa pressão de “mostrar para os médicos” que ela se desenvolve além do diagnóstico? É claro que quero ver ela se desenvolvendo com autonomia e felicidade, mas ela não precisa mostrar nada a ninguém. Não precisa ser ninguém a não ser ela própria. Não precisa ser ninguém que ela já não seja. Ela já é completa, perfeita e única – como cada um de nós.

Se eu imagino ela andando? Vez ou outra sim, em momentos de uma viagem ilusória para um futuro que nunca existirá. Isso acontece durante uns dez segundos a cada dois meses talvez. Mas é algo tão absurdo quanto olhar saudosa para a Emilia ou para Luma e desejar do fundo do meu coração que elas um dia comecem a voar. Não vai acontecer. A não ser que a medicina desenvolva protótipos de asas – ou no caso da Zoe uma baita tecnologia que faça uma pessoa com paralisia completa (significa sem movimento e sem sensibilidade) decorrente de má-formação (ou seja, não ocorrida por causa de acidente mas sim já de nascença) a se movimentar. Eu sei que a medicina avança – e sou muito feliz em viver hoje com a Zoe e não há cinquenta, há cem anos – mas tudo o que faço com a minha filha vai muito muito além de “investir em algo” na esperança de que isso lá na frente lhe faça andar.

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Por que projetamos tanta expectativa numa pessoa com deficiência? “Ah, ela vai para as paraolimpíadas!” E se não? E se não passar de uma menina gordinha ou magrelinha sentada na cadeira de rodas, feliz, curtindo as amigas e crescendo como uma pessoa normal? “Ah, ela vai mostrar para os médicos que eles estavam enganados”. E se não? Será que ela já não tem desafios suficientes em seu simples dia-a-dia, como aprender a equilibrar o tronco, a comer sozinha, a se virar da posição de costas para bruços (o que ainda não consegue) – fora os desafios do corpo “vegetativo” como manter a bexiga sadia, o intestino trabalhando, o liquor cerebral fluindo na medida certa etc. Além de tudo isso, ainda tem que ser mais? Engraçado, quando minhas outras filhas nasceram ninguém ficou falando que ela talvez um dia irão para as olimpíadas… Que estranho, será que não confiam nelas?😕

O que em mim se vê orgulhosa e satisfeita com a vitória e superação da minha filha? É claro que toda mãe e todo pai quer o melhor para seu filho, deseja sucesso e muitas conquistas. Mas será que eu não posso ser vitoriosa pelos meus próprios passos? Por que me esconder atrás dos passos dela? É muita pressão gente! E muito prejuízo na minha própria vida não vivida.

Que eu saiba ser adulta, brilhando meu próprio brilho, chorando minha própria frustração. Que eu seja responsável tanto pela minha alegria quanto pela minha tristeza.

Que minhas filhas possam encontrar em mim uma mãe que lhes acompanha, apoia e orienta. Que elas me vejam vivendo minha vida, realizando meus sonhos, lidando com meus desafios e limitações.

Que minhas filhas possam ser felizes, cada uma da sua maneira, fazendo escolhas guiadas por aquilo que sonham e são capazes de fazer. Que elas encontrem pessoas que lhes apoiem, respeitem, inspirem e acreditem nos seus potenciais.

Por que os dois estados do sul têm sempre férias por último?

Se você tem família ou amigos que morem em outras regiões, já deve ter reparado que as férias escolares nem sempre coincidem com as de seus filhos. Alguns já saem de férias no fim de junho, enquanto outros só no fim de julho, por ex.

Este sistema foi criado em 1964, para que houvesse um rodízio de férias entre os diferentes estados alemães, principalmente para diminuir o fluxo intenso de carros nas auto-estradas alemãs. Porém, o sistema só é usado por 14 estados e dois deles ficam de fora: a Baviera e Baden-Württemberg. As férias desses são sempre a partir do fim de julho, começo de agosto.

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A razão para essa exceção é simples: nestes estados se espera(va) que as crianças ajud(ass)em na colheita do fim do verão. São estados onde a agricultura é muito forte e a tradição mais ainda.

Outra peculiaridade são as chamadas Pfingstferien (férias de Pentecostes), que outrora também eram privilégio destes dois estados e agora se tornou privilégio de outros. É uma semaninha numa época muito boa, quando ocorrem os feriados de Pentecostes, por volta de fim de maio, começo de junho. Nesta época o tempo já está bom e dá para aproveitar para viajar sem muito estresse também para fora do país. Então, se as férias de verão forem mais para o final do verão, pode ser que haja a semana de Pentecostes, para recarregar as baterias.

Se você não pode ficar sem viajar no verao, dou as seguintes dicas:

  1. deixe para pegar a estrada só no domingo após o início das suas férias, já que na sexta e no sábado o trânsito vira um caos. Há famílias que saem no meio da madrugada também.
  2. se o seu destino é o Brasil, e você quer aproveitar uma oferta, cujo vôo sai antes do início das férias, você deve pedir uma autorização à escola. Caso não o faça, pode ser que você não consiga embarcar com as crianças. Nos aeroportos, eles costumam controlar quem mata aula, já que a presença na escola é obrigatória.
  3. se você não tem filhos na escola, só no Kita, viaje fora do período de férias. Cheque o calendário de férias antes. É mais barato e mais tranquilo. Na baixa temporada as ofertas de pacotes de viagens são excelentes, os aeroportos e estradas ficam menos cheios. Faça férias nas imediações, por ex., com pouco tempo de viagem é menos desgastante para todos.
  4. Viaje para o norte: Holanda, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia por ex, onde é mais fresco e para onde você não iria, quando estiver muito frio.
  5. Prolongue sua exposição ao sol, fazendo uma semaninha de férias no sul da Europa, nas férias de outono.
  6. Evite viajar para os países do sul da Europa em agosto. É tudo lotado e caro, além de ser um forno. Nem sempre há ar-condicionado na maioria dos lugares. Visitar centros turísticos com temperaturas próximas dos 40 no meio de um formigueiro de gente pode ser bem estressante. Mais uma vez, o turismo na baixa estação ou nas férias de Páscoa e outono é bem mais agradável.

 

Calendário de Férias: https://www.schulferien.org

Piscina na Alemanha

Com a chegada do verão, a melhor opção para dias quentes é ir a uma piscina ou lago com as crianças. É um programa bom e barato. A entrada custa em torno de 5 euros, para crianças até menos que isso. Dá também para comprar 10 entradas com um desconto, caso a família saiba que vai frequentar a piscina várias vezes. E dá até para usar as entradas no ano seguinte, se por ventura o verão se despedir subitamente.

IMAG6684Acervo Pessoal

A maior parte das piscinas aqui é financiada pelos municípios. Nao há necessidade de exame médico, mas eventualmente o banhista pode perguntar a uma pessoa sobre um problema de pele visível. Minha recomendação é levar sandálias de dedo tipo havaiana e não andar descalço e nem usar o chuveiro sem esse tipo de proteção.

Os lagos também são uma alternativa bacana para quem curte a natureza e não se incomoda de nadar com os peixinhos, sapinhos etc. Porém, só é permitido se banhar em lagos que tenham a autorização do estado e sejam continuamente checados quanto à qualidade da água.

 

Uma pequena lista do que se deve levar para esse tipo de programa

  1. protetor solar – de preferência passe em casa, para já no percurso até a entrada da piscina estar protegido.
  2. chapéu ou boné, para proteger o rosto
  3. calçado adequado – cuidado com as vespas e outros insetos no gramado
  4. farmacinha de emergência: bandaid, spray para desinfectar ferida, spray contra insetos e um gel para esfriar picadas de inseto, lenços de papel e lenços umedecidos. Eu levo uma meia cebola para colocar em picadas de vespas. Nunca precisamos mas já doei a quem precisou. A cebola suga o veneno da vespa!
  5. uma coberta de picnic, além de toalhas
  6. bóias, asinhas ou o que for usado pela criança, para se manter na superfície d’água.

 

Procure evitar o horário em que o sol está mais alto, entre uma e quatro da tarde. Busque uma sombra de árvore ou leve guarda-sol. Leve bastante líquidos também, se não quiser comprar no quiosque local. Costuma ser caro e as filas não são pequenas. O ideal é ter uma bolsa térmica, onde também é possível armazenar frutas e o picnic.

Numa piscina sempre há um banhista controlando a situação. Ele usa um apito para indicar que alguém fez algo indevido. Porém, pais devem ficar atentos a seus filhos, porque acidentes acontecem bem rápido. Se você é mãe de primeira viagem, uma idéia é você combinar com uma amiga com filhos, por ex. Além da companhia, quatro olhos conseguem captar melhor os perigos.

Atualmente algumas piscinas têm regras claras quanto à fotografia. Algumas até oferecem uma etiqueta para bloquear a lente da câmera. Atente às regras para evitar transtornos. Se não permitem fotografias, certamente estão zelando pela segurança de menores nas redes sociais ou internet, evitando a exposição desnecessária de menores.

O bom de frequentar piscinas regularmente é que as crianças ganham experiência com a água, encontram com amiguinhos ou fazem novos, além de gastar a energia e dormirem bem à noite. As primeiras vezes podem ser tensas, por conta da novidade, mas aos poucos se entra no ritmo. Eu particularmente escolhi uma piscina não muito grande para ir com meus filhos quando eram menores. Cheguei a ir a piscinas enormes como a Brentanobad, que é a maior piscina na Alemanha, mas achei bem estressante e muito fácil de perder as crianças. Então eu ia basicamente à piscina com a qual tínhamos nos familiarizado, onde normalmente encontrávamos muito conhecidos, sem nem combinar. Agora meus filhos vão sozinhos e curtem muito.

 

Bom programa!

 

Parto Domiciliar da Karla

Há três anos nasceu nosso primeiro filho em uma clínica. Optei por receber uma anestesia e com isso seguiram uma série de intervenções médicas terminando em fórceps e manobra de Kristeller. Essas e o desejo de confiar mais no meu corpo e no meu bebê foram minhas maiores motivações pra optar por um parto domiciliar na segunda gravidez.

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source Wikipedia

Hoje o despertador tocou como de costume às 7h da manhã e logo em seguida senti a primeira contração. Brinquei um pouco com o L. ainda na cama como de costume e descemos pra começar a rotina da manhã antes de irmos pra creche: preparação do café da manhã, sentar à mesa, vestir o L. e sair pra creche. Minha mãe me perguntou como eu estava me sentindo e comentei que estava tendo já umas contrações consideráveis, mas nada demais. Poderia ser alarme falso. Deixamos o L. na creche, fomos ao supermercado, à padaria e à farmácia. Em alguma hora entre o supermercado e a ida à padaria começamos a verificar o quão espaçadas estavam as contrações. Em média uns 10 minutos entre uma e outra. Viemos pra casa e liguei pro S. (meu marido): “só pra avisar que estou tendo contrações a cada 10 minutos, mas pode deixar que te ligo quando achar que está na hora de você vir do trabalho”. Eu e minha mãe comemos algo com calma, guardamos as compras e enquanto a mamãe cuidava do almoço eu ainda passei uma vassoura em casa.
S. mandou uma mensagem pra saber como eu estava: “as contrações estão vindo agora a cada 6 minutos, acho que você pode pegar o trem de 15:48h” (eram 12:30h). “Posso ir antes?” ele perguntou. E eu disse que claro que sim, como ele preferisse.
Tive duas vezes uma dor de barriga forte e eu sabia que meu corpo já estava se preparando pra estar “vazio” na hora do parto. Também tinha sido assim no parto do L. Mamãe foi buscar o L. na creche e eu fui fazer meu exercício do Hypnobirthing. Às 14h foi a consulta de praxe da parteira, já agendada há uma semana. Ela ficou muito feliz de saber que o bebê estava a caminho, eu estava com 3 cm de dilatação. Ela iria em seguida fazer uma outra visita, mas estaria bem perto, quando eu ligasse ela viria, já que poderia demorar ainda.
S. chegou quando a parteira ainda estava em casa e começou a ajeitar tudo. Desceu com os apetrechos pro parto, subiu com a banheira que alugamos… minha mãe foi à pracinha com o L. a nosso pedido e eu fui tomar banho. Me deitei e tive uma contração tão intensa, que pensei por 1 segundo que fosse morrer. As contrações fortes a ponto de eu ter que usar técnicas de respiração começaram em média as 13:30h, mas bem intensas mesmo só as 14:45h. Era a essa altura 15:10h e eu estava usando a bola de ginástica pra suportar a intensidade das contrações. S. ligou pra parteira “acabe de fazer a visita com calma, mas por favor não vá mais pra casa, venha direto pra cá porque as contrações estão muito intensas”. Tive 3 contrações na bola e resolvi ir ao banheiro. Voltei pra bola e tive mais uma. Fui ao banheiro de novo porque sentia que precisava ir ao banheiro. Foi tão intensa que tive que me pendurar no aquecedor e gritei pelo S. Ele entrou eu o abracei forte, gritei e pedi pra ele sair de novo. Ele ligou pra parteira: “venha rápido!”. Veio mais uma contração. Peguei lá embaixo e senti a cabeça. “Amori vem rápido, o Nico está nascendo!” gritei. S. veio, eu tinha uma necessidade incontrolável de empurrar, sentia como se tivesse rasgando tudo. Uma sensação desesperadora. Em uma contração a cabecinha do Nico estava de fora, S. segurando-a nervoso e me apoiando “respira fundo, respira, empurra!”. Mais uma contração veio, eu gritei tamanha a intensidade e o Nico deslizou pros braços do S. Eu estava no lavabo da nossa casa. Durante a ultima contração apenas que a bolsa rompeu. S. ligou pra parteira “venha rápido que ele já nasceu!”. Ela já estava praticamente na porta de casa, assim como minha mãe e o L., que escutaram meu grito e logo em seguida o primeiro choro do Nico. S. me perguntou se eu podia segurar o Nico pra ele abrir a porta pra parteira e pediu pra minha mãe e L. saírem novamente. Nico estava meio azulado e S. estava preocupado, mas logo ele ficou rosinha e a parteira disse que era normal por conta da rapidez com que tudo aconteceu.
Fui pra sala, a parteira colocou o Nico nos meus braços e esperamos o cordão parar de pulsar. Minha mãe e L. voltaram, ficaram emocionados com tudo o que estava acontecendo. S. cortou o cortão umbilical e ficamos a espera da placenta. A segunda parteira chegou. Depois de 1,5h de espera e já de algumas tentativas de que a placenta saísse de forma natural, as parteiras estavam preocupadas. Depois de 2h de espera eu teria que ir pra clínica, por risco de infecção. Elas decidiram me dar uma injeção com um calmante pra tentar fazer com que eu relaxasse mais e que a placenta consequentemente saísse. Quando a agulha estava a poucos milímetros do meu braço, tive uma contração e a placenta saiu. Que alívio! A essa altura Nico já tinha mamado, a parteira me auxiliou a tomar banho, preencheram umas papeladas necessárias e iniciaram a primeira consulta (U1 na Alemanha). Nico pesa 3.260g e mede 51cm. Não nasceu como planejado na sala de casa ao som de músicas relaxantes, a luz de velas e na banheira quentinha, mas foi perfeito como foi. E inesquecível. Depois comemos todos juntos na sala, agradeci muito as parteiras por ter tido essa chance de confiar no meu bebê e no meu corpo ❤️ agradeci muito ao meu marido por ter sido tão incrível e por ter decidido vir mais cedo pra casa e agora estou aqui deitada na nossa cama compartilhada no meio dos meus dois meninos, guardando essa experiência pra sempre em forma de palavras.

 

Então eu digo pra todas as mulheres: somos capazes! Nosso corpo é incrível, nossos bebês são incríveis! Confiem em vocês ❤️

Ter filhos e ser feliz ou não

Nos grupos Mães Brasileiras na Alemanha e Filhos Brasileiros na Alemanha, eu publiquei um artigo que comenta o livro de uma escritora francesa, Corinne Maier, cujo título é Sem Crianças: 40 Boas Razões para Não ter Filhos. Ela defende que os adultos inventam que precisam ter filhos, e depois ficam exaustos com todo o trabalho que eles dão. Em entrevista à BBC, Corinne afirma que nós vivemos em uma sociedade obcecada pelas crianças. “Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social”. Corinne solta um comentário provocador  “Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças”, o que certamente é uma isca para mães se revoltarem e tentarem justificar suas opções.

O tópico gerou uma discussão interessante e este texto da Deisy Elias tocou muitas de nós.

 

“Até os 35 eu vivi livre, leve e solta e gostava da minha vida, filhos nunca estiveram nos meus planos. Então cansei de tudo isso e nessa mesma época eu e meu marido nos encontramos. Ele estava na mesma vibe e a vontade de casar e ter filhos foi bem natural. Planejamos as duas vezes (ou melhor, as 3, pois tive um aborto entre um filho e outro) e ainda assim tem dias que tenho vontade de jogar tudo para o alto, imagina se eu tivesse tido filhos em busca da felicidade, ou por uma convenção da sociedade? Depositar neles a minha felicidade seria cruel com eles e comigo.

 

Às vezes penso que o fato de ter um filho com Síndrome de Down e autismo e uma filha com TDAH é o motivo pelo qual eu consigo encontrar equilíbrio, pois meus dias são imprevisíveis, nunca eles acontecem da forma como planejei. Acho que se eu tivesse filhos típicos, que guardassem os brinquedos e subissem para dormir sozinhos às 20h e fossem até o dia seguinte, eu já teria entrado em depressão. 😁

 

Outro dia tive um sonho, estava numa second hand à procura de bolsas (essa era minha mania quando solteira, tive mais de 100) e encontrei uma dos tempos áureos de minha vida. Quando abri encontrei todas as minhas coisas dentro, carteira com documentos, a minha foto de 28 anos me olhando fixamente, celular, batom. Fui até o caixa e disse que aquela bolsa era minha, eu a havia perdido com todos os meus pertences, ela me disse que se eu pagasse o preço da bolsa eu poderia levá-la, mas eu não tinha o dinheiro. Então saí da loja, sentei e chorei muito e acordei.

 

Bolsa

 

Não consegui mais dormir nessa noite, sentia um aperto no peito. Fiquei pensando no significado desse sonho, encontrar meu passado e não poder levá-lo. Era isso que eu queria? Ter meu passado de volta? Se é assim por que não peguei minha carteira com meus documentos? Eu não tinha dinheiro para a bolsa, mas ela não me impediria de pegar meus pertences pessoais. Mas eu não quis, eu não quero minha vida de volta, eu não preciso que minha família desapareça para que eu seja feliz, mas eu tenho direito de me sentir frustrada e até infeliz pela presença deles de vez em quando sem deixar de amá-los, sem ser acusada, sem sentir culpa.

Vacina de HPV – resumo do livro do Dr. Hirte

Venho aqui fazer um pequeno resumo do livro HPV Impfung do Dr. Martin Hirte, que  foi publicado em 2016. É um livro detalhado que mostra números e cita publicaçoes e outros links da área.  O Dr. Martin Hirte é pediatra em Munique e se especializou em alergias. Ele também escreveu um outro livro, Impfen Pro & Contra.

 

O vírus HPV

O Vírus do Papiloma Humano, é responsável por um elevado número de infecções, que na maioria das vezes são assintomáticas e de regressão espontânea. Como o nome faz supor, o HPV é um vírus frequente nos humanos, responsável pela formação de lesões chamadas papilomas. Existem diferentes tipos de HPV; alguns tipos podem infectar a área anogenital, enquanto outros infectam áreas como os pés ou as mãos, onde podem originar verrugas ou “cravos”. Os vírus que infectam a área anogenital podem ser transmitidos durante o sexo vaginal, oral ou anal, ou durante o contato íntimo de pele com pele entre pessoas em que pelo menos um esteja infectado.

 

Na população sexualmente ativa, 50 a 80% dos indivíduos adquirem infecção por HPV em alguma altura da sua vida, apesar de, na grande maioria dos casos, não haver evolução para doença sintomática. A infecção persistente por HPV tem um período de latência prolongado (anos ou décadas entre o início da infecção e o desenvolvimento de tumores) passando por diversas fases.

 

Até a data, existem mais de 200 tipos de HPV identificados dos quais cerca de 40 infectam, preferencialmente, o sistema anogenital: vulva, vagina, colo do útero, pênis e áreas perianais. Os vírus mais perigosos para o desenvolvimento de câncer no colo do útero são os de número 16 e 18, sendo que o 16 é responsável por até 60% do acomentimento de câncer e o 18 por até 20%. Outros tipos de alto risco são 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59.

Não só o HPV é responsável pelo câncer uterino, mulheres fumantes ou que tomam pílula por mais de 6 anos têm mais risco de serem acometidas pela doença. Troca de parceiros também é considerado fator de risco, além da não utilização de preservativos, bem como falta de higiene do homem.

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O câncer do colo do útero pode ser diagnosticado caso a mulher tenha um corrimento com odor estranho ou sangramento após a relação sexual. O ideal é ir ao ginecologista pelo menos uma vez ao ano, para fazer o exame preventivo que detecta o câncer ainda no estágio inicial. Segundo o Dr. Hirte anualmente são feitos 16 milhões de testes papanicolau. Cerca de 1,6% dos testes têm um resultado que precisa ser investigado e cerca de 2.500 testes levam ao diagnóstico de câncer de fato.  Desde que o exame de papanicolau foi criado, em 1971, houve uma queda de 80% na frequência deste tipo de câncer. Mais de 90% dos casos de câncer correspondem a mulheres que não fizeram o preventivo. A chance de sobrevida para pacientes que participam do programa de prevenção do governo é bem alta.

 

A vacina

 

Em 2006 surgiu a Gardasil (proteção contra os vírus 6, 11, 16 e 18) no mercado europeu, e em 2007 a Cervarix (proteção contra os vírus 16 e 18). Ambas destinadas ao grupo de mulheres entre 9 e 26 anos de idade, e para rapazes entre 9 e 15 anos. Depois que o livro do Dr. Hirte foi escrito, entrou no mercado a vacina Gardasil 9, que supostamente confere proteção contra 9 tipos do vírus (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52, 58).

 

Importante ressaltar que o vírus é muito sensível e nada fácil de ser cultivado em laboratório. Através de processos de tecnologia genética foram desenvolvidas partículas semelhantes ao vírus, que simulam a capa dos vírus, para fazer com que o sistema imunológico identifique uma infecção. O contato natural com o vírus nem sempre gera a produção de anticorpos no sangue. Para tal é necessário o uso de fortalecedores do efeito, como o “Adjuvant System 04” ou o “Aluminium-hydroxyphosphat-Sulfat”. Em todos os tipos de imunização se encontram restos de células do laboratório, que podem gerar reaçoes alérgicas.

 

Alumínio

Em várias vacinas o alumínio está presente como coadjuvante , para aumentar a resposta imune, inclusive em tratamentos contra alergias por causa de pólen ou pó, por ex. Este metal permanece no organismo por até 28 dias, o que em cobaias de laboratório pode levar a modificaçoes comportamentais ou fraqueza muscular, além de desencadear doenças auto-imunes.

 

Estudos sobre as vacinas do HPV

A indústria farmacêutica não liberou números e escondeu dados, tentou transformar os resultados de seus estudos em campanhas de marketing, alterando os resultados e a eficácia esperada da vacina, para não falar dos riscos. Os estudos feitos não utilizaram indivíduos suficientes para poder confirmar riscos e efeitos colaterais.

 

Efeitos colaterais e riscos

Desmaios, choque alérgico, embolia, dores crônicas, doenças auto-imunes são alguns dos efeitos observados. Meninas mais ativas, esportivas, se encontram no grupo que mais pode sentir os efeitos colaterais da vacina. Uma pausa esportiva após a vacina é indicada.

 

 

 

 

 

 

E quando os nossos filhos ficam órfãos?

Como fica a situação de filhos de quem mora na Alemanha, caso ambos genitores faleçam?

Esta é aquela situação na qual preferíamos nem pensar. Ainda bem que ela não acontece com frequência. Mas e se ela acontecer? Como se preparar?

Não importa a constelação da família, o casal é brasileiro, um dos cônjuges é alemão, o outro brasileiro, mãe que tem a guarda, vocês podem definir com quem as crianças ficariam, caso aconteça aquela tragédia para a qual nenhum de nós está preparado. Não adianta fazer um testamento no Brasil, residindo na Alemanha. Em caso de falecimento de ambos os pais na Alemanha, a lei que se aplicará ao caso será a lei alemã.

Consultei algumas pessoas nos grupos Mães e Filhos no facebook, para poder saber melhor como funciona. Algumas informações estão disponíveis online também. Este texto não tem a pretensão de susbtituir uma consulta com um advogado que entenda bem do assunto.

Na Alemanha, prepara-se um documento chamado “Sorgerechtsverfügung“, algo como disposição de custódia. Nele você irá definir com quem seu filho ficará, caso você e o outro genitor dele morra.  O ideal é você pensar com carinho e de forma objetiva nas pessoas que você considera ideais, para assumir a tutela do seu filho. Estas pessoas deverão ser consultadas sobre a sua intenção e devem receber uma cópia do documento. Se estas pessoas não forem seus pais, informe-os também da sua intenção. Recomenda-se escolher duas pessoas, no mínimo. Julgo ser importante escolher alguém que tenha disposição física e psíquica e meios para assumir o seu filho. Se for uma pessoa residente no Brasil, muito provavelmente ela terá que se deslocar para a Alemanha e acompanhar o processo aqui antes de levar a criança para o Brasil.

Se você não quer gastar dinheiro com tabelião, é possível redigir o documento de próprio punho.  Para ter validade, neste caso, o documento não pode ser redigido no computador e impresso!

Se você prefere se garantir com a burocracia, escreva o documento no computador e entregue ao tabelião, para que ele seja legalizado. E este documento tem que estar em um lugar de fácil acesso a quem estiver procurando por ele. Não adianta guardá-lo a sete chaves, sem que a pessoa de confiança, que conhece o documento, tenha acesso! Há ainda duas opções: entregá-lo a um notário, para que ele mantenha o documento sobre seus cuidados ou deixá-lo sob os cuidados do tribunal de propriedade (Nachlassgericht). Neste último caso, o serviço é pago.

No nosso modelo, além das duas pessoas escolhidas para assumir a tutela da criança, colocamos também uma pessoa que não gostaríamos que assumisse a criança. Você não tem contato com um parente próximo, não julga que ele vá atender às necessidades do seu filho, então deixe isso claro no documento também. Em caso de irmãos, é bom você também deixar claro que deseja que eles fiquem juntos. Mais uma vez, converse bastante com suas pessoas de confiança!

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Caso um dos pais tenha pago o seguro de aposentadoria (Rentenversischerung) por pelo menos 5 anos, a criança terá direto à aposentadoria de órfão (Waisenrente). Se o tutor escolhido viver na Alemanha, ele irá receber o “Kindergeld” também.

 

https://www.elterngeld.de/sorgerechtsverfuegung/#gref

Pediatra e médicos na Alemanha

Por Cristina Iglesias Tiede

Para quem chegou agora na Alemanha, uma das coisas que nos preocupa, especialmente com filhos pequenos, é a busca de um pediatra de confiança. Eu diria que depois de achar uma moradia e uma vaga no jardim da infância, o pediatra é a terceira ou quarta coisa com que as mamães normalmente se preocupam. Mesmo porque normalmente para início no Jardim da infância é preciso um atestado médico.

Achar um médico que fale inglês, espanhol ou português acaba sendo necessário, já que muitas vezes, quando chegamos aqui, não conseguimos nos comunicar bem em alemão. Na cidade grande ou na cidade pequena com um sistema de saúde completamente diferente, por onde começar?

Uma ferramenta interessante para buscar médicos é o site: Jameda. Ele é um portal alemão que contém avaliação de médicos e os próprios pacientes estabelecem uma nota e escrevem uma pequena avaliação. Lembrando que a nota mais alta na Alemanha é a nota 1.

Minha experiência com o jameda tem funcionado bem e normalmente a avaliação bate com o perfil do médico. Um médico com poucas recomendações ou notas ruins geralmente são ruins mesmo! Outra ferramenta que somente alguns médicos oferecem é o agendamento online, assim evitamos o ter que falar em alemão por telefone, que para quem ainda está aprendendo alemão é um pesadelo! A busca pode ser feita por cidade (CEP/PLZ) e por especialidade.

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Assim como no Brasil, os médicos especialistas com melhores avaliações normalmente não tem consultas para “amanhã”, muitas vezes a demora é grande. Mas caso o seu pediatra tenha alguma indicação e tenha te dado um encaminhamento (Überweisung) essa espera pode ser menor. Quando não conseguimos marcar uma consulta rapidamente, ou não achamos os especialistas, a nossa seguradora pode ajudar. Eles respondem rapidamente com a indicação de um agendamento. Cada seguradora tem um telefone para solicitação desse serviço que é gratuito. Isso é também uma alternativa.

No caso da seguradora TK, o sistema de auxílio a agendamento se encontra no link: TK Termin Service.

Alguns sites oferecem uma lista de médicos que falam português.

Em Berlim: https://www.berlinda.org/viver-em-berlim-saude-lista-medicos

No sul, basicamente em Munique:  https://conselhobrasilfreiburg.wordpress.com/entidades-de-apoio-em-berlim/

Em Hessen e Nordrhein-Westfallen:
http://frankfurt.itamaraty.gov.br/pt-br/onde_encontrar:_servicos_de_saude_e_de_traducao.xml#Medicos

Em Hamburgo:
http://www.douglasjam.com.br/alemanha/2016/05/25/medicos-em-hamburgo-alemanha.html

 

 

 

O papel da obstetriz (Hebamme)

Hebamme para quê?

Lígia Lorandi

Grávida de minha primeira filha na Alemanha, lá pelo final do primeiro trimestre meu obstetra fala que já posso procurar uma Hebamme. E eu me pergunto internamente: para quê? Pensei: deve ser  importante para o pós parto, para o acompanhamento do bebê. Segundo a orientação procurei e encontrei pela internet a minha. Durante a gestação nos encontramos 2 vezes somente, não senti necessidade de ficar ligando para tirar dúvidas, era uma grávida sem muitas questões e meu Geburtsvorbereitungskurs já dava conta de entender o sistema de parto na Alemanha e pequenas dúvidas.

Daí nasce minha filha na Páscoa… Minha bebê teve um pico de febre no hospital, então fiquei um dia a mais, mas depois fui liberada porque teria visita da Hebamme e não fazia sentido ficar no hospital só para medir temperatura. Páscoa: frio para caramba e tudo fechado. Minha Hebamme me visitou no dia seguinte à minha chegada em casa e acompanhou todos os dias na primeira semana, ensinou a dar banho, a dar o comprimido de vitamina D diluído no leite materno de colherinha, me apoiando nos primeiros dias dolorosos de amamentação. Meu seio direito com um pequeno machucado que curava cada vez que colocava o remédio e piorava a cada mamada. E minha bebê que às vezes chorava no peito quando demorava a se saciar.

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Já tinha bastante conhecimento teórico sobre amamentação, mas sem apoio certamente teria desistido. Teoria é uma coisa, prática outra completamente diferente. As semanas passavam, bebê ganhando peso mas a amamentação continuava dolorida. Daí minha Hebamme,observando que minha bebê começou a ter muitos gases e chorar na mamada, sugeriu avaliar no dentista se ela tinha a língua meio presa. E foi batata, depois do pequeno cortezinho (que para mim pareceu que cortou minha alma, mas objetivamente era 1 mm), dois dias depois minha bebê abria a boca bem grande, mamava com gosto e eu passei a gostar de amamentar.

Além de ter sido decisiva para a amamentação, ela sempre esteve disponível por telefone ou whatssapp para outras dúvidas, tanto que mantive o acompanhamento espaçado até 1 ano, mesmo porque minha pediatra foca em outros assuntos e não sinto nenhum apoio em relação à amamentação. Pediatria aqui é “Tá difícil amamentar: toma aqui a fórmula”. Muito importante ser uma pessoa em quem se confie e entender as diferenças culturais. Super recomendo!

 

Um bebê no Natal


Roberta Estronioli

Pelo fato de não termos nossa família por perto, e sermos completamente inexperientes com cuidados de bebês, achei muito importante procurar uma Hebamme, principalmente após ler as experiências de outras mães. No entanto, não imaginava que seria tão difícil. Minha bebê viria próxima ao Natal, e sei que isso também dificultou na busca por uma profissional. Consegui a minha Hebamme com 36 semanas de gestação, para me acompanhar depois do parto e foi uma experiência muito boa.

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No hospital, as Hebammes não têm muito tempo para dar atenção, pois elas precisam atender vários pacientes, por isso, não tive o suporte que eu precisava em relação a amamentação, minha maior dificuldade quando a minha filha nasceu. As visitas frequentes da minha Hebamme foram decisivas para que eu me sentisse segura e conseguisse amamentar minha filha. Ela também foi importante para acompanhar a bebê, em especial o ganho de peso dela, que estava um pouco aquém da média. É claro que em alguns aspectos, foi preciso ignorar e relevar.

Minha filha nasceu de cesária, não porque eu quis, mas porque ela quis. Por estar sentada, li muito e procurei profissionais especialistas em parto pélvico, mas no final, fiquei com medo dos riscos que me apresentaram. Se alguém tinha que passar por algum risco, seria eu, e não ela. Por isso, para quase tudo que perguntávamos sobre a bebê, a explicação era sempre a mesma: “bebês de cesária são mais preguiçosos para mamar, sentem mais medo de ficarem sozinhos e precisam mais do contato corporal com os pais…”. Enfim, um “rótulo” dado aos bebês que nascem de cesária com o qual não concordo. Cada criança é única, e generalizar não é certo. Mas, no geral, acredito que a Hebamme cumpriu seu papel, e nos ajudou muito.

 

 

 

 

 

 

 

Entrando na primeira série da escola alemã

Por Cristina Iglesias Tiede

A saída do jardim de infância (Kindergarten) / escolinha  para escola (Grundschule) é acompanhada de muitas mudanças: normalmente as crianças vão a pé para a escola, inicia-se o processo de alfabetização com lição de casa todos os dias e o ambiente é menos controlado, especialmente na hora do recreio (Pause). E como é o começo de tudo isso?

A escolha da escola
Diferentemente do Brasil, na Alemanha a opção de “escolha da escola” é mais limitada. Os pais escolhem: escola pública ou privada. Se a opção for pela escola pública, a criança frequenta a escola mais próxima de sua casa, a escola é determinada de acordo com o endereço residencial. Se houver a escolha pela escola privada, não há limitação de região. Assim que os pais fazem o seu registro na prefeitura da cidade, as crianças já serão destinadas para a escola mais próxima, recebendo os documentos pelo correio em casa com todas as datas de matrícula, exames médicos, etc. Isso acontece com bastante antecedência.

Exame médico
Antes de ir para escola, seu filho fará um exame médico. Haverá uma avaliação geral: visão, coordenação motoras fina (desenho) e grossa (movimentos corporais), lógica, exames físicos de saúde, audição e compreensão de comandos simples. Isso tudo para identificar se ele está pronto para ir para escola.

Dia de conhecer a escola (Schnuppertag)
O Schnuppertag é o dia que os alunos que estão no seu último ano no Kindergarten (Vorschulkind)  vão para escola depois das férias de verão, para conhecer a escola. Normalmente passam de 2 a 3 horas por lá, tomam um lanche, desenham ou fazem alguma atividade. É encaminhada uma lista do que o aluno deve levar nesse dia. Ainda não se sabe quem vai ser a professora da turma e nem os colegas, mas é um dia de experiência na escola.

O que os pais fazem antes das crianças irem para escola?

Local de estudo ou Escrivaninha (Schreibtisch)

Algumas famílias providenciam a escrivaninha logo que as crianças entram na escola, outras usam a mesa de jantar para fazer lição de casa (Hausaufgaben). No início, as crianças precisam de acompanhamento para fazer a lição de casa, até se acostumarem com a nova rotina. Cada família se adapta melhor a um esquema, seja na mesa da sala, da cozinha ou na escrivaninha.

Quem optar por escrivaninha, tem alguns modelos que se modificam conforme a criança cresce  (até 1,80m). A cadeira também tem essa funcionalidade, já que apoiar os pés no chão é importante para a concentração.

Compra da mochila (Schulranzen)
A mochila não é apenas uma mochila, normalmente os pais compram um kit que vem com 4 ou 5 peças: bolsa de esportes, estojo grande e estojinho pequeno e opcionalmente uma carteira.

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Tema/Decoração da Mochila: Primeira surpresa: A mochila dura 4 anos. Sim as crianças ficam normalmente 4 anos com a mesma mochila. Elas são mais resistentes e normalmente duram esse tempo todo. Para que a criança não enjoe ou a mochila não fique “fora de moda” é bem importante pensar num tema atemporal. Normalmente as grandes marcas usam temas sempre queridos pelas crianças (e não personagens famosos) para colocar nas suas mochilas, cavalos e flores para as meninas e carros, foguetes e dinossauros para os meninos, por exemplo. A mochila da Ergobag por exemplo, você pode trocar os temas (eles são de velcro). As cores normalmente são escuras também, para não ficar muito sujas com o passar do tempo já que as mochilas vivem rolando no chão da escola.

Modelos: cada marca tem um modelo diferente, porém todas elas têm em comum os ajustes da alça para que as alças fiquem mais confortáveis conforme as crianças crescem. Para distribuir o peso, as mochilas tem alcinhas adicionais uma na altura do peito e um cinto mais robusto na cintura que pode ser removido de acordo com o modelo. Quem já usou uma mochila de caminhada (mochila de viagem) sabe o quanto esses acessórios ajudam na distribuição do peso. O design nas costas facilita a passagem de ar, os tecidos são tecnológicos para minimizar os efeitos da transpiração ou chuva por secarem mais rápido, as alças são acolchoadas para diminuir o impacto sobre os ombros. Outro ponto em comum são as faixas reflexivas (importantes durante o inverno) e uma estrutura reforçada para aguentar o peso ao longo dos 4 anos.

Altura da criança: algumas mochilas são indicadas para crianças mais altas e outras para criancas mais baixinhas, essa indicação normalmente encontra-se no site do fabricante.

Peso e tamanho da mochila: a criança carrega a mochila todos os dias, muitas famílias avaliam e consideram o peso da mochila vazia bem importante. As mais leves tem em torno de 760g e as mais pesadas 1,2 Kg, o que é uma bela diferença. É importante observar o tamanho da mochila em relação ao tamanho da criança. Existem modelos mais quadradões e largos, mais compridos e estreitos, mais flexíveis ou mais rígidos… cada um tem uma vantagem e uma desvantagem e cada um se adapta melhor para uma criança. Pontos a observar: experimentar a mochila com e sem jaqueta de inverno.Observar que a largura do ombro da criança deve coincidir com a largura da mochila, para ela não se enroscar nos lugares.

Marcas: escolha de marcas é muito pessoal. A Scout é uma marca que existe há muito tempo na Alemanha, chega a ser tradicional. A Ergobag tem ganhado muito espaço devido a versatilidade de temas e a inovação do design (como próprio nome diz a ergonomia). Existem também as mochilas McNeill, Herlitz, Tatonka, DerDieDas, School-type ou Elephant School. Por questões de segurança, as mochilas devem ter um selo GS e cumprir a norma DIN 58214.

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Preços: Somente a mochila pode variar de 90 – 140 euros quando tem as marcas mais tradicionais. Os kits de podem custar de 120 a 260 euros. Normalmente há bazar de mochilas de coleções “ antigas” e existem também promoções em setembro e a economia pode ser grande. É possível encontrar kits de 4 ou 5 peças por 160 euros.

Fechamento: Como é o fecho da mochila? É fácil? A criança consegue fechar e abrir facilmente? São perguntas importantes a fazer na hora da escolha. E se virar a mochila de cabeça para baixo ela abre? (sim as crianças fazem malabarismos com as mochilas). Algumas mochilas tem fecho magnético para facilitar, outras o fecho é ajustável para caber mais coisa na mochila. Cada marca e cada modelo tem um diferente, atente-se a esse ponto também.

Bolso lateral para a garrafa: eles nem sempre fecham as garrafas direito e o bolso lateral evita que a garrafa (que pode estar aberta) vaze dentro dos materiais escolares.

O que vai dentro?

Tudo que vai para escola tem que ter nome!
Normalmente os pais compram etiquetas prontas ou utilizam rotuladores para colocar nome nas coisas (sim cada lápis que vai dentro do estojo tem nome), roupas e acessórios também precisam ser identificados. Normalmente existe na escola um “achados e perdidos” (Fundkiste) e lá encontramos um pouco de tudo: luvas, gorros, lancheiras, 1 pé só de tênis… são inimagináveis as coisas que as crianças perdem na escola.

Guarda-chuva: escolha um de alumino, apesar de ser menos resistente é extremamente mais leve que os de ferro.

Garrafa de água (Trinkflasche): as crianças levam as garrafas de casa e podem encher na escola. Tem garrafas para todos os bolsos, térmicas e não térmicas: lembre-se que no primeiro ano as crianças perdem muitas coisas. Vale testar com uma garrafa descartável ou mais barata antes de investir numa garrafa de 16 – 20 euros.

Lancheira (Brotdose): diferentemente do Brasil, as lancheiras da Alemanha são simples e vão dentro da mochila. Para facilitar a vida ter 2 ou 3 ajuda no dia a dia. Enquanto uma lava a outra está na escola.

Estojo grande (Etui): quando compramos a mochila ele vem junto e as vezes já vem completinho com lápis grafite, lápis de cor, borrachas e apontador.

Estojo pequeno (Mäppchen): usado para guardar canetinhas, cola e tesoura.

Pastas (Schnellhefter): na Alemanha as crianças não usam cadernos e sim pastinhas de plástico com “romeu e julieta” para colocar as folhas. Para cada matéria tem uma cor, normalmente matemática é azul e Alemão é vermelho e tem também a agenda de atividades que é chamada de Hausaufgabenheft.

Cadernos: algumas escolas especificam a lineatura dos cadernos por números. A variedade é enorme: sem pauta, vários tipos para caligrafia, pauta sem margem, com margem, quadriculado grande com margem, sem margem, quadriculado pequeno. É importante comprar o número correto. Em geral, nas maiores papelarias o pessoal que trabalha sabe exatamente como é o caderno. Eles não são de espiral e são bem finos, para evitar que a mochila fique muito pesada. Cada matéria pode pedir o seu caderno e eles podem ter que se repostos no meio do ano letivo. Com o tempo, sabendo que um é muito usado, pode-se fazer um pequeno estoque em casa.

Livros: em alguns estados são fornecidos, em outros estados são comprados. Devem ser encapados com plástico. Se forem da escola, não pode usar contact.

Lista de materiais: a lista de materiais inclui os materiais do dia a dia, o material de artes e as especificações das roupas de esporte.

Aqui nesse site você pode ter uma visão geral das mochilas e as características técnicas de cada uma: https://www.schulranzen.com/p/warentest.html?gclid=Cj0KCQiAwp_UBRD7ARIsAMie3Xb9fUln0uFKztSq0We1fx8t-_C6701iwX0jlAp02w2m8PqhH-YrEs8aAgcwEALw_wcB

Outros acessórios:
Capa de Chuva (para a mochila) nos dias muito chuvosos, muitas crianças empacotam as mochilas com capas impermeáveis. Mesmo usando guarda chuva, as mochilas ficam molhadas por fora (as boas marcas são impermeáveis). Essa capa normalmente é amarela bem chamativa.

Luz vermelha: no inverno as crianças vão no escuro para escola. Alguns pais colocam uma luzinha traseira de bicicleta na mochila para que as crianças sejam vistas pelos carros. Existem específicas para mochilas também. Muitas botas de inverno tem luzinhas também por esse motivo.

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Curiosidades

Uniforme: na maior parte das escolas alemãs não tem uniforme.

Hausschuhe (sapato de casa): ao chegar na escola as crianças trocam de sapato, tiram as botas, muitas vezes molhadas e sujas de barro, e colocam outro sapatinho.

Tênis ou sapatilha de esporte: esses calçados não são usados na rua, somente no ginásio de esportes, normalmente é solicitado que eles tenham a sola clara para não danificar a quadra.

Treinamento sobre o trânsito: na primeira série os alunos recebem muitas informações sobre como andar no na rua, as escolas incentivam que as crianças andem para a escola (não usem bike ou patinete) e a ADAC, em parceria com a polícia, vai até a escola fazer um curso para as crianças aprenderem a se movimentar na rua. Eles ganham um certificado e colete refletor para usar todos os dias. Na quarta série as crianças recebem um novo treinamento, de como dirigir sua bicicleta no trânsito (até 12 anos somente pela na calçada), pois muitas delas vão precisar da bicicleta para ir para a sua nova escola, que já não será tão perto assim de casa como antes.

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