Mutter-Kind-Kur

Pausa da rotina. Tratamento. Recuperação. Reabilitação.

Também apelidado de MuKiKu! 🙂

Na Alemanha é possível que o seguro de saúde, inclusive o social, pague por uma estadia de algumas semanas, para mães poderem sair de sua rotina, em uma estação de águas, praia tranquila ou outros locais onde se encontrem centros de reabilitação. O detalhe é que as mães podem até levar seus filhos junto com elas (idade limite da criança é 12 anos), e as crianças têm uma programação especial, para que a mãe possa fazer exercícios, frequentar cursos de reeducação alimentar, fazer terapias, massagens e outros tratamentos. Existe inclusive a possibilidade de um programa escolar, caso a criança já esteja na escola e a estadia seja em época de escola.

A causa mais comum para a indicação de um “Kur” é o estresse decorrente do acúmulo de funções, principalmente das mulheres. Infelizmente a divisão de tarefas com o parceiro nem sempre segue o ideal imaginado antes de ter o filho. Mães ainda se sentem pressionadas a dar conta da casa, família e ainda ter que trabalhar, ainda mais se não houver um provedor, além delas mesmas.

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Os tipos de tratamento disponíveis

Prevenção e medidas de reabilitação são as palavras-chave.  O médico vai escolher o tipo de tratamento conforme a necessidade da paciente. Como medida de prevenção, avaliando os fatores que podem trazer riscos à saúde do paciente, além dos desdobramentos na criação das crianças e nas próprias crianças. Algumas crianças acompanham suas mães, outras não, algumas também são tratadas paralelamente. Me refiro às mães, porque é o mais comum, mas existem pais que também se submetem ao tratamento.

Quem tem direito ao “Kur”

Segundo o “Müttergenesungswerk”, uma organização que se engaja no auxílio à mães necessitadas de cuidados especiais, cerca de 90% das mães que fazem o tratamento tem sintomas de exaustão ou  até um burn-out, que não devem ser ignorados. Muitas sofrem de insônia, variações de humor, dores nas costas, dores de cabeça, irritação e problemas respiratórios.

Como o tratamento é aprovado?

Inicialmente, quem tem seguro público, deve ser dirigir ao seu médico clínico geral, que poderá fazer um atestado, que é encaminhado à seguradora (Krankenkasse). É esta que irá decidir, se o tratamento vai ser aprovado, e irá financiá-lo por completo, com exceção de uma taxa diária de 10 euros.

Em 2015 cerca de 11% dos casos foram recusados, já em 2012 1/3 dos casos nao foram aceitos.

E os seguros particulares?

Vai depender, se existe uma cláusula no seguro que confere este tipo de tratamento. Porém o seguro pode definir quanto do tratamento irá pagar, em geral uma parte dele somente.

É necessário tirar férias?

O empregador tem que permitir o afastamento e continua pagando o salário do empregado. Crianças em idade escolar são liberadas pela diretoria da escola. Mesmo assim, muitos pais se decidem pelo tratamento na época de férias, para não trazer novas dificuldades à criança. A fila de espera por uma vaga numa clínica gira em torno de seis meses.

É possível escolher a clínica?

As seguradoras é que determinam, no fim das contas. O paciente pode pedir uma clínica específica, mas a escolha dele pode ser ignorada. Tratamentos no exterior não são permitidos. A escolha da clínica deve atender a alguns critérios conforme as necessidades do paciente, como por ex:  reabilitação após câncer ou alguma outra doença séria, apoio a mães que cuidam de pessoas com necessidades especiais, mães-solteiras. Explicando bem a motivação para a reabilitação, é possível conseguir o tratamento na clínica de sua preferência.

“Kur” são férias custeadas pelo seguro?

Não, não são férias, nem Spa ou Wellness. É um tratamento que visa modificar o estilo de vida da mãe, fornecer elementos para modificar sua rotina e ensinar a lidar melhor com seus filhos. Se a mãe retorna à sua vida normal sem que estas mudanças ocorram, o tratamento foi inadequado. Quem se decide por este tipo de tratamento tem que estar disposto a mudar algo em si mesmo, a se auto-ajudar também.

 

E como é a rotina do “Kur”?

Cada paciente recebe um plano individual de terapia, que podem conter fisioterapia, psicoterapia,  ofertas de relaxamento e exercícios físicos, aconselhamento na alimentação, trabalhos criativos e aconselhamento pedagógico. As crianças têm uma programação à parte e há algumas atividades conjuntas, para fortalecer a relação mãe e filho.

O “MuKiKu” realmente ajuda?

A eficácia dos tratamentos já foi comprovada diversas vezes. Um estudo da organização “Forschungsverbundes Familiengesundheit der Medizinischen Hochschule Hannover” mostra que uma melhora na saúde de pais e filhos que se submeteram a este tipo de tratamento. Um dos aspectos é a diminuição na quantidade de remédios utilizada pelas famílias, bem como o número de dias faltados no trabalho, além dos depoimentos de pais que disseram ter uma melhor interação com seus filhos.

Com que frequência é permitido o “Kur”?

O Kur dura cerca de 3 semanas, e, em casos específicos, pode ser prorrogado por mais uma semana. Após 4 anos de uma estadia em clínica é possível dar entrada num novo pedido.

Links de auxílio

www.familien-wegweiser.de

www.muettergenesungswerk.de.

Fonte: http://www.faz.net/aktuell/gesellschaft/gesundheit/fragen-und-antworten-zu-mutter-kind-kuren-14652331.html

Levando a vida na flauta

As aulas terminaram em cima do Natal e a flauta ficou em cima do piano, sendo que entre ele e a parede há uma fresta larga o bastante para a flauta rolar para trás dele.

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Compras de Natal atrasadas, doenças na família, milhões de compromissos para finalizar o ano, porque nunca se sabe, se o mundo vai acabar. Torneios, festas de Natal de várias associações de esporte, comemoração da turma do filho, amigos querendo lhe rever antes que a profecia de Nostradamus se cumpra ou algum meteorito acabe com a vida na Terra. Bazar de Natal da turma da filha, para o qual você contribui com 6kg de biscoitos feitos por você com muito carinho e amor, além das tardes passadas com a filha e suas amigas na frente do forno. E depois a cozinha num estado de petição de miséria, que você mesma irá limpar. Provas e trabalhos feitos e entregues. Notas só em janeiro!

Preparativos para o Natal a mil. Aqui são três dias para comemorar. Resolvo me concentrar apenas no Natal e pensar que o Reveillon passaremos os quatro de pijama, ou então viajamos no improviso. O que cozinhar para nove pessoas, sendo que duas delas têm deficiência, não conseguem cortar uma carne, falta-lhes uma mão para empurrar a comida? Faço três camas extras: para a irmã e os sobrinhos, realoco duas crianças para o sótão da casa.

A flauta continua lá em cima do piano!

E antes que no dia 23 eu vá pegar minha irmã com os sobrinhos de mala e cuia em Frankfurt, resolvo guardá-la, para que ela não role para trás do piano. Afinal quem é que vai mover um piano que deve pesar uns 150kg, só para pegar uma flauta doce atrás dele?

Vou arrumando as coisas aqui, crianças já em ritmo de férias, e eu percebendo que as “minhas férias” acabaram. O ritmo daqui pra frente vai ser alucinante. Pego a flauta e coloco na parte de cima de um armário.

Sobrevivi ao final do ano e à bronquite alérgica que me mostrou que eu precisava desacelerar, no começo do ano. As aulas recomeçam e eu me esqueço que é justo na segunda-feira que o filho tem aula de música. Ele volta pra casa, contando que a professora até foi compreensiva. Mas que na próxima semana a flauta tem que ir à aula. Aí eu olho pro piano, no hall de entrada. Me lembro da flauta…

E toca a procurar. Primeiro nos armários e cômoda, no hall de entrada, onde fica o piano. Reviro  até o quartinho do Harry Potter embaixo da escada, que é o armário de sapatos e agasalhos das crianças. Serve também para quando as visitas chegam de surpresa e improvisamos a bagunça, jogando alguma tralha ali dentro. Quando meu filho viu o filme pela primeira vez cismou que queria que seu quarto fosse dentro do armário.

Nada! Resolvo ir adiante para o armário de casacos de adulto, na área de serviço. Penso no alto, reviro as duas prateleiras superiores. Necas! Três pulinhos pra São Vito! Bulhufas! O marido começa a ajudar na busca. Até o alemão resolve dar três pulinhos!

Passo a semana procurando, abro até o freezer, na última esperança que nunca morre. Sábado chega e pensamos então que a solução é levar uma outra flauta, que não foi a da escola usada pela filha, e não é soprano. Quem sabe a professora nem repara a diferença na hora em que a criançada começar a tocar o apito, digo flauta (tem instrumento mais chato?).

À noite, vou botar o filho na cama, e me aborreço pensando na maldita. Abro mais uns armários, espio nas prateleiras à altura dos meus olhos, vou até o nosso quarto dormir, e abro o armário, onde nas duas prateleiras superiores, guardamos os remédios da família. Lá está a queridinha morrendo de rir da minha cara.  Escuto até suas gargalhadas altas: “HA HA HA HA!”.

Onde eu estava com a cabeça quando guardei a flauta junto aos remédios?

Missão completa! Hoje é segunda-feira e o apito, ups, flauta, vai na mochila pra escola. Neve no chão, dia lindo. Amo as manhãs  de segunda, porque consigo relaxar que é uma beleza. Dá até tempo de escrever um textinho ou outro . E a casa continua uma bagunça, claro.