Diferenças entre creches no Brasil e na Alemanha

Por Lígia Birindelli Amenda em parceria com um coletivo de mães que vivem na Alemanha

Chegamos novamente na Alemanha há alguns meses. Embora já tenha morado aqui há um tempo, esta é a primeira vez que venho com meu filho e desde então estamos nos acostumando com a nova rotina. No Brasil, ele já frequentava a creche desde os 5 meses por conta da nossa pífia licença maternidade e, além disso, em virtude de vários problemas, tínhamos mudado de escola por duas vezes. Então, achei que estaríamos acostumados ao ingresso em uma nova creche, embora ele ainda não fale alemão.

Acontece que agora constatei que, para além do novo idioma, há várias novas circunstâncias as quais temos que nos adaptar. Em vista de tanta mudança, acabei percebendo várias diferenças entre creches no Brasil e na Alemanha. E é bem verdade que estou positivamente surpreendida, então, natural que este texto contemple os lados positivos do sistema alemão em comparação com os pontos negativos no Brasil. Não tenho a pretensão de ser imparcial e pode ser que esta visão um dia mude. Tomara que sim, inclusive!

 

1 – A NOMENCLATURA E A SEPARAÇÃO DOS GRUPOS

O nome “Jardim de infância” vem do alemão “Kindergarten”. Este conceito abrange a educação infantil de 3 a 6 anos. Contudo há alguns anos essas instituições passaram a receber também crianças de 1-3 anos (algumas recebem bebês com menos de um ano). Então, hoje, além do Kindergarten as creches contam também com o Kinderkrippe (berçário). Devido a esta mudança usa-se duas expressões para denominar as creches: KITA (Kindertagesstätte) que recebe crianças de 0-6 e funciona por mais de um período durante o dia (há em Berlim, inclusive, Kitas que funcionam à noite) ou KIGA (Kindertagesbetreuung) que atende crianças a partir de 3 anos e costuma operar por apenas um período (sendo mais comum estar aberto pela manhã). Mais informações podem ser encontradas neste site: www.kita.de/wissen/kinderbetreuung.

Em vista dessa separação entre o Kindergarten e o Kinderkrippe é comum encontrar creches por aqui que façam somente essa distinção no grupo de crianças. No KITA que meu filho frequenta hoje, por exemplo, ele está numa turma junto com crianças de 3 a 6 anos. Portanto, as crianças ficam mescladas em diferentes idades e não como no Brasil, onde as crianças são separadas por data de nascimento.

 

2 – A PROCURA

No Brasil, a escolha por uma escola está comumente envolvida com a classe social a qual os pais pertencem. Aqueles que têm condições financeiras de bancar uma escola costumam optar por uma escola particular. Todavia há exceções, pois dentre as creches públicas existem várias opções por vezes muito melhores que as particulares, mas isso depende da cidade a qual se vive (visto que a educação infantil é de responsabilidade exclusiva do munícipio) e do bairro onde se mora (às vezes os bairros mais caros possuem creches públicas melhores, por mais incoerente que possa parecer).

A minha experiência no Brasil está limitada a cidade de Curitiba, onde meu filho frequentou 3 escolas particulares, estas muito diferentes entre si: as duas primeiras com preços bem módicos e que não possuíam um linha pedagógica muito definida, e a terceira, uma creche excepcional, mas muito cara e que me incomodava por demais a presença exclusiva de crianças oriundas de classe média alta. Dentre os colegas que ele tinha nesta escola, acredito que meu filho era o único usuário de transporte público, por exemplo. Esse fator me incomodava porque a despeito do conceito construtivista que a escola propunha, eu sabia que ele estava imerso em uma bolha social muito distante da nossa realidade. Ou seja, a escola propunha o respeito à individualidade, mas não conseguia abrigar a diversidade. E, para mim, isso era muito contraditório em relação aos valores que entendo como fundamentais.

Mudamo-nos, então, para Hamburgo na Alemanha. Por aqui a forma como a educação infantil é oferecida também está atrelada à administração da cidade em que se vive, então reconheço que o sistema daqui pode ser bem diferente do resto do país. O fato é que em Hamburgo eu ainda não consegui identificar o que é creche pública e o que é privada. Talvez, inclusive, nem exista o conceito de creche estatal aqui. Há creches de bairro, há outras mantidas pela igreja católica ou evangélica, outras que tenham ligação com a cruz vermelha e há redes de creches com várias filiais espalhadas pela cidade. Por aqui, desde 2013 a prefeitura arca com as 5 primeiras horas de qualquer criança em qualquer creche[1]. Então, se você mora em Hamburgo, não importa se você é nacional ou não e nem qual sua renda, seu filho terá garantidas 5 horas gratuitas em qualquer creche que você consiga vaga. Sim, porque se o Estado banca a creche para você, não existe essa mesma corrida que no Brasil: quem pode pagar consegue a melhor escola. Por isso, as melhores creches costumam ter fila de espera que pode demorar mais de 1 ano para a matrícula. Além disso, caso seja necessário mais do que cinco horas, é preciso comprovar baixa renda e a prefeitura arcará com o resto. Mas ainda que não se consiga o subsídio para as horas complementares, o custo costuma ser muito inferior que no Brasil.

A universalidade no acesso às instituições de cuidado infantil implica também em escassez de mão de obra e esse me parece ser um problema recorrente na Alemanha. Para se trabalhar em uma Kita é necessário ter formação específica e o salário não é assim tão vantajoso, então é comum nos depararmos com a grande rotatividade de pessoal ou mesmo falta de cuidadores nas creches.

Sei que outras cidades possuem o mesmo esquema de Kitagutschein (espécie de “vale-creche”), como em Berlim, contudo, esse esquema varia conforme a cidade. E é bem verdade que nem todas as cidades contam com um suporte estatal no que diz respeito ao cuidado com crianças pequenas. Contudo, não existe isso de segregar as crianças por classe social. Mas é evidente que alguma segregação aconteça já que a escolha da creche geralmente se dá pela proximidade com a residência da criança, então creches localizadas em bairros mais ricos costumam receber crianças oriundas de famílias mais abastadas e o contrário também é verdadeiro. No entanto, isto não é um fator determinante já que a proximidade com a residência não é um requisito para se pleitear vaga na creche.

Portanto, a escolha da creche aqui é definida primeiramente pela busca por vaga e depois pelo método de cuidado adotado pela escola. Diferentemente do Brasil, que primeiramente faz-se a escolha entre pública e privada, para depois nos preocuparmos com vagas ou com valor de mensalidade. E essa diferença é crucial em relação ao público da creche: enquanto no Brasil as crianças são deliberadamente segregadas desde a mais tenra idade conforme sua classe social, aqui todas partilham do mesmo espaço de cuidado.

 

3 – A ADAPTAÇÃO

A adaptação também é algo que varia muito de escola para escola. Nas três creches que meu filho frequentou no Brasil, a adaptação nunca passou de 3 dias. E eu também nunca participei ativamente dela, no sentido de ficar junto na sala enquanto ele conhecia o novo espaço.

Já na Alemanha, é muito usado o método chamado de “Berliner Eingewöhnungsmodell”. Este método de adaptação dura cerca de 4 semanas e funciona basicamente neste esquema: No primeiro dia, o cuidador tem uma conversa com os pais sobre os hábitos da criança como alimentação, sono, forma de brincar ou qualquer outra especificidade. Além disso, ele explicará como funciona a escola e sua rotina. A partir do segundo dia, o pai ou a mãe, ficará na creche junto com seu filho por cerca de uma hora. O ideal é que o pai/mãe não brinque exclusivamente nem com seu filho nem com outras crianças, mas que interaja de alguma forma e se mostre sempre disponível quando seu filho demonstrar necessidade. Isso se seguirá por 4 dias e o tempo pode variar conforme o interesse da criança.

 

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A partir da segunda semana, inicia-se a separação. No primeiro dia, ela durará apenas alguns minutos e servirá para sentir como a criança fica sem a presença do pai/mãe. Nos próximos dias, a separação durará cerca de meia hora/uma hora e irá aumentando conforme se perceba que a criança está confortável com a nova situação.

A fase de “estabilização” (Stabilisierungsphase) é iniciada a partir da terceira semana e varia muito conforme a necessidade da criança. Ou seja, ela já permanecerá sozinha na creche durante o tempo pré-estipulado de contrato, contudo, terá um cuidado muito próximo por parte dos cuidadores, de modo a identificar qualquer incomodo ou insatisfação por parte dela. Os pais ficarão avisados que deverão estar disponíveis para qualquer eventual chamada da creche para buscarem seu filho.

A quarta semana é denominada “Schlussphase” e a partir de então se espera que a criança esteja finalmente adaptada, embora ainda seja considerado normal qualquer estranhamento por parte dela.

E este esquema relativamente “demorado” para os padrões brasileiros é empregado para todas as crianças que iniciem em uma nova creche na Alemanha, ou seja, essa adaptação não é apenas empregada para as crianças estrangeiras ou para aquelas que iniciem pela primeira vez no sistema escolar. Eu vejo essa forma de adaptação como uma maneira muito respeitosa de lidar com a criança, considerando que ela passará várias horas do seu dia sob a responsabilidade de pessoas que até então são para ela desconhecidas.

 

4 – OS CUIDADORES

A formação técnica é um requisito para se trabalhar em qualquer creche na Alemanha. Ainda que no Brasil muitas escolas exijam o curso de magistério ou de pedagogia, a grande maioria ainda trabalha com profissionais que não possuem qualquer formação teórica para atuar com crianças.

Na Alemanha é comum se exigir, no mínimo, uma especialização técnica para qualquer ofício. Desde manicure a pintor de parede. E não seria diferente para os cuidadores de creche.

Além disso, é muito comum vermos homens trabalhando como cuidadores. Inclusive, há quem diga que as instituições procurem sempre por profissionais masculinos porque essa seria uma demanda dos pais. A presença masculina por aqui nas funções de cuidado é vista com muitos bons olhos e os pais apreciam que seus filhos sejam cuidados tanto por homens como por mulheres.

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Talvez isso seja até um reflexo da forma como os alemães veem o cuidado das crianças. É muito comum encontramos por aqui pais sozinhos com os filhos nas ruas, parquinhos, restaurantes e mercados. A figura masculina é realmente presente na criação dos filhos e então porque não seria nas creches?

Há quem diga também que os cuidadores alemães não são tão afetuosos como no Brasil. E é verdade que uma das grandes diferenças entre brasileiros e alemães é a forma de lidar e demonstrar emoções. Eu, particularmente, não vejo essa diferença como um sinal de frieza ou distância. Pois ainda que os cuidadores aqui não mantenham tanto contato físico com as crianças, sendo beijos e abraços menos frequentes que no Brasil, vejo a forma de cuidado daqui de maneira bastante afetuosa. Mas não deixo de achar engraçada a reação deles quando meu filho se despede com beijos e abraços, eles ficam realmente sem saber o que fazer.

 

5 – A CRECHE COMO LOCAL DE LIVRE ACESSO

Nas creches que meu filho frequentou no Brasil tanto a entrada como a saída eram feitas no portão. Os pais não entravam na escola. Em apenas uma delas havia um dia e um horário específico em que os pais podiam ir buscar seus filhos diretamente nas salas. Sei que isso não é regra e que geralmente as escolas públicas são de mais livre acesso do que as escolas privadas. Fato é que nas Kitas, as crianças são sempre deixadas pelos pais dentro da sala e no momento da saída, o procedimento é o mesmo.

Inclusive, na Alemanha não se utiliza a agenda escolar. Para quem não conhece, a agenda é a forma de comunicação entre pais e cuidadores. Ali é anotado tudo que a criança fez durante o dia: os momentos em que houve troca de fraldas, como ela se alimentou e as atividades que fez. Nas creches alemãs, o contato é feito diretamente com o cuidador no momento da entrada ou da saída da criança. Tudo de importante ou relevante que tenha acontecido ou que precise ser dito é conversado no momento em que os pais vão buscar ou deixar os filhos.

Por isso, tenho a impressão que na Alemanha exista uma integração maior entre escola e os pais e a hora da entrada e da saída são um reflexo disso. A creche está sempre de portas abertas para os pais.

 

6 – AS FESTAS

As festas das creches particulares no Brasil costumam ser grandes eventos e são várias: festa de dia das mães, festa de páscoa, festa junina, festa de dia dos pais e a grande esperada festa de final de ano, em que muitas reservam um teatro exclusivamente para a apresentação das crianças.

Por aqui, as festas são menos numerosas, menores e contam com a integração entre a creche e os pais para sua elaboração. Posso até comparar as festas daqui com as festas juninas no Brasil, não pelo tema (claro!), mas pela forma de se organizar a festa. Cada pessoa leva algo para comer e beber e as brincadeiras são organizadas em conjunto.

A forma como as festas são organizadas nas creches da Alemanha refletem bem o que se espera dos pais: que eles interajam, participem e ajudem em todos os temas relacionados à creche e a seus filhos. Neste aspecto, as creches públicas no Brasil se assemelham com as Kitas, visto que no Brasil os pais são incentivados a participarem de conselhos de pais e mestres, as instituições costumam ser mais abertas e as festas também são realizadas em conjunto entre pais e cuidadores.

 

7 – A ROTINA

Embora o clima alemão não seja o mais favorável para passeios ao ar livre, ficar um dia todo em um ambiente fechado, definitivamente não é típico dos alemães. E essa regra se aplica também às creches. Os passeios por aqui são quase que diários e é muito comum vermos grupos de criança passeando pelas ruas com seus coletes de cores chamativas (na Alemanha não se usa uniforme!). Esses passeios variam entre explorar os parquinhos próximos (e há muitos e são muito diversificados), ir a lugares para prática de esporte, ou a piscinas, e até mesmo trajetos mais longos como uma visita ao zoológico, por exemplo. Tudo isso a pé ou utilizando o transporte público. Ou nem sempre é feito a pé, visto que as crianças menores também participam e as creches costumam contar com um carrinho parecido com esse para levar as crianças que ainda não conseguem andar por longos trajetos:

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Já no Brasil, os passeios são raras exceções nas rotinas das creches e nunca é algo espontâneo. Sempre agendado com muita antecedência, geralmente feito apenas com as crianças maiores de 3 anos e sem andar na rua, já que frequentemente é locado um ônibus ou uma van para fazer o transporte. Então, as crianças acabam passando dias inteiros dentro de um mesmo espaço e brincando no mesmo parquinho (isso quando as instalações da creche possuem um espaço externo, o que nem sempre acontece).

E, no entanto, me parece impossível aplicar a mesma rotina das creches alemãs às creches brasileiras porque nossas cidades não são projetadas para acolher as crianças. Na verdade, elas abrigam muito bem os carros e as pessoas ficam espremidas entre eles. E vejo isso como um círculo vicioso: não temos direito à cidade porque não a requeremos, ou não requeremos o direito à cidade porque ela não nos acolhe? Não sei dizer. Mas a presença constante das crianças nas ruas faz com que nos lembremos o tempo todo que elas também são cidadãs e que a cidade precisa ser pensada para elas. Além disso, o contato direto com a comunidade é estimulado a cada passeio.

(Coincidentemente eu acabei de fazer uma pausa neste parágrafo para ver pela janela meu filho passeando com a creche rumo ao salão de esportes).

Portanto, para além da diversão que é o passeio em si, acredito que colocar as crianças diariamente para andar nas ruas da cidade desperta um senso de coletividade não só nas crianças como nos adultos que transitam por ela. Os carros andam mais atentos, as calçadas são largas, as faixas de pedestre estão por todo lado, o tempo do semáforo respeita o tempo das crianças e há parquinhos espalhados por toda a cidade com brinquedos muito estimulantes, brinquedos estes sempre diferentes e com a manutenção em dia. Enfim, manter as crianças na cidade à vista de todos faz com que as pessoas estejam atentas ao cuidado delas, repensando e refletindo formas de melhor acolhê-las. Por aqui, as crianças têm direito à cidade e a requisitam todos os dias.

 

8 – O OBJETIVO

As creches no Brasil ainda são chamadas de pré-escola pois são vistas como uma preparação para o ensino formal, tanto o é, que na pedagogia essa área é chamada de Educação infantil. Já na Alemanha, a ideia de pré-escola está em desuso, dando lugar ao Betreuung (cuidado), nome que é dado ao sistema institucional que se preocupa com as crianças menores de 6 anos.

A diferença conceitual é muito importante para entender as diferenças entre creches brasileiras e alemãs. Enquanto aquelas se estruturam para preparar a crianças para escola estimulando a alfabetização e o manuseio de livros e materiais escolares, na Alemanha o objetivo principal é a socialização, o cuidado e o despertar de um senso de coletivo.

Por isso ainda é tão comum no Brasil chamar creche de “escolinha” (eu só me refiro a creche dessa maneira) ou mesmo haver escolas de ensino fundamental que já oferecem vagas para crianças desde os 3 anos, com o claro objetivo de inseri-los na educação formal de forma gradual.

Já na Alemanha, como não há preocupação com a educação no sentido de ensino formal dentro das creches, os cuidadores ocupam a função apenas de orientar ou de cuidar e, portanto, não são vistos como professores. A brincadeira e as atividades rotineiras do dia-a-dia (manuseio de faca/tesoura para preparação de alimentos, uso de transporte público, brincadeiras com martelo etc) dão lugar ao ensino em sentido estrito.

O senso de coletividade é uma marca muito forte das instituições que atendem as crianças. Enquanto no Brasil se cultiva o apreço pelo desempenho individual com muitas atividades focadas na valorização da criança como línguas estrangeiras, artes marciais, natação, na Alemanha o foco é a socialização e o estímulo à autonomia. Portanto, o contato com a cidade, as ruas, as pessoas, os meios de transporte e outras atividades que estimulem a autonomia são tão valorizadas por aqui.

É importante destacar também que essas atividades “extras” oferecidas pelas creches são típicas do sistema privado. Porem, como dito acima, a forma como nossas cidades são arquitetadas não permitem que nem as creches públicas nem as privadas ocupem a cidade com as crianças. E isto acaba alimentando a cultura de que lugar de criança é dentro de um ambiente fechado e protegido, o que desestimula e muito o senso de coletividade.

E este zelo pela autonomia pode ser visto como negligência. Não é raro ouvir reclamação de mães brasileiras que se incomodam com a forma adotada pelos cuidadores no cuidado. Afinal, para se estimular a autonomia é preciso estimular a descoberta e essa vem sempre acompanhada de erros, frustração e, às vezes, tropeços e quedas. O objetivo é fazer com que as crianças se descubram capazes e se sintam parte do corpo social. A individualidade é respeitada, mas não supervalorizada (vide a ausência de agenda escolar, de relatórios semestrais e de inúmeras atividades extracurriculares, como no Brasil).

Acredito muito que entender a forma como uma sociedade trata suas crianças, sobretudo no que diz respeito ao nascimento e aos cuidados na primeira infância, nos ajuda a entender os princípios sobre os quais esta sociedade está estruturada. Partindo daí, posso afirmar que a Alemanha é um país que preza pelo coletivo, pela igualdade e pela autonomia.

 

Embora acredite que estes pontos sejam muito presentes nas creches da Alemanha e no Brasil, este texto não tem por objetivo uma análise minuciosa dos dois sistemas de cuidado/educação infantil. Como já dito, a minha experiência está limitada a escolas particulares na cidade de Curitiba e a um Kita em Hamburg. Mas este texto não é só meu. Ele foi escrito após consultar várias mães brasileiras que vivem na Alemanha e é, portanto, um texto coletivo. E além deste texto, aqui na página já foi escrito sobre kitas, aqui por exemplo!

 

[1] Há algumas poucas exceções de creches em Hamburg que não estão contempladas pelo sistema de Gutschein porque as mensalidades estão muito acima do valor proposto pela prefeitura. Contudo, não esse número não chega a ser maior que uma dezena. Além disso, há kitas que oferecem cuidado bilíngue e para tanto, o serviço é cobrado à parte.