Ter filhos e ser feliz ou não

Nos grupos Mães Brasileiras na Alemanha e Filhos Brasileiros na Alemanha, eu publiquei um artigo que comenta o livro de uma escritora francesa, Corinne Maier, cujo título é Sem Crianças: 40 Boas Razões para Não ter Filhos. Ela defende que os adultos inventam que precisam ter filhos, e depois ficam exaustos com todo o trabalho que eles dão. Em entrevista à BBC, Corinne afirma que nós vivemos em uma sociedade obcecada pelas crianças. “Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um status social”. Corinne solta um comentário provocador  “Eu tenho filhos, mas tenho razões para odiar crianças”, o que certamente é uma isca para mães se revoltarem e tentarem justificar suas opções.

O tópico gerou uma discussão interessante e este texto da Deisy Elias tocou muitas de nós.

 

“Até os 35 eu vivi livre, leve e solta e gostava da minha vida, filhos nunca estiveram nos meus planos. Então cansei de tudo isso e nessa mesma época eu e meu marido nos encontramos. Ele estava na mesma vibe e a vontade de casar e ter filhos foi bem natural. Planejamos as duas vezes (ou melhor, as 3, pois tive um aborto entre um filho e outro) e ainda assim tem dias que tenho vontade de jogar tudo para o alto, imagina se eu tivesse tido filhos em busca da felicidade, ou por uma convenção da sociedade? Depositar neles a minha felicidade seria cruel com eles e comigo.

 

Às vezes penso que o fato de ter um filho com Síndrome de Down e autismo e uma filha com TDAH é o motivo pelo qual eu consigo encontrar equilíbrio, pois meus dias são imprevisíveis, nunca eles acontecem da forma como planejei. Acho que se eu tivesse filhos típicos, que guardassem os brinquedos e subissem para dormir sozinhos às 20h e fossem até o dia seguinte, eu já teria entrado em depressão. 😁

 

Outro dia tive um sonho, estava numa second hand à procura de bolsas (essa era minha mania quando solteira, tive mais de 100) e encontrei uma dos tempos áureos de minha vida. Quando abri encontrei todas as minhas coisas dentro, carteira com documentos, a minha foto de 28 anos me olhando fixamente, celular, batom. Fui até o caixa e disse que aquela bolsa era minha, eu a havia perdido com todos os meus pertences, ela me disse que se eu pagasse o preço da bolsa eu poderia levá-la, mas eu não tinha o dinheiro. Então saí da loja, sentei e chorei muito e acordei.

 

Bolsa

 

Não consegui mais dormir nessa noite, sentia um aperto no peito. Fiquei pensando no significado desse sonho, encontrar meu passado e não poder levá-lo. Era isso que eu queria? Ter meu passado de volta? Se é assim por que não peguei minha carteira com meus documentos? Eu não tinha dinheiro para a bolsa, mas ela não me impediria de pegar meus pertences pessoais. Mas eu não quis, eu não quero minha vida de volta, eu não preciso que minha família desapareça para que eu seja feliz, mas eu tenho direito de me sentir frustrada e até infeliz pela presença deles de vez em quando sem deixar de amá-los, sem ser acusada, sem sentir culpa.

Dia das mães sem presente

No Brasil, o dia das mães cai no mesmo dia que na Alemanha, no segundo domingo de maio. Mas engana-se quem pensa que a comemoração é no mesmo estilo, com presentes, flores, cartões e almoço com a família toda! Desculpem a ducha de água fria, mas aqui, na terra de Goethe, maridos alemães não se sentem na obrigação de presentear suas esposas, só porque elas são mães de seus filhos.

Se seu filho é pequeno ainda, talvez esteja na creche ou no Kindergarten, pode ser que ele faça algum trabalho manual junto com uma educadora, para lhe entregar no dia das mães. Pode ser que a creche não tenha este costume também. E como seu filho ainda não tem experiência com estas coisas, ele obviamente não vai poder comprar um presentinho. Talvez, quando ele já estiver na escola, ele pense em fazer um artesanato ou até em comprar uma besteirinha com sua mesada ou converse com o pai sobre um presente para lhe dar. Depende um pouco da cultura da sua família quanto a dar presentes, acredito.

A não ser que você faça uma pequena lavagem cerebral no seu marido, levando-o inclusive a uma comemoração do dias das mães no Brasil, lembrando-o constantemente sobre o costume de presentear nesta data, você pode sim ficar a ver navios neste dia. E de quebra, se você não fizer sua campanha pessoal pelo SEU dia das mães, ele pode querer que você o acompanhe, para  parabenizar a mãe DELE ! Pois sim, porque ele certamente vai comprar algum agrado para ELA !

Então, querida mãe brasileira, o jeito é você ligar para sua mãe neste dia e chorar suas pitangas para ela, uma pessoa que vai lhe entender ou consolar com toda certeza. Uma alternativa, seria você se juntar a outras mães amigas e instituir que vocês comemorem juntas do jeito que quiserem, com ou sem suas famílias. Porque, afinal das contas, longe da família no Brasil, o melhor a fazer é se ajeitar por aqui com o que você tem e se unir a pessoas que você gosta, para formar sua pequena família substituta, na Alemanha!

 
F E L I Z    D I A   D A S    M Ã E S  ! ! !

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PS: o dia dos pais também é em maio, no feriado de Ascensão, e é comemorado com muita cerveja, não com a família mas sim com os amigos do sexo masculino. Também é conhecido como Männertag, o dia dos homens. Tradição que desconhecemos como brasileiros, não é mesmo? Se você não ganhar presente de dia das mães, também não precisa comprar um para o dia dos pais 🙂 …

Ser mãe/mulher na Alemanha é… (Parte 2 – crianças pequenas)

 

  1. Deixar o filho no Kita e correr para fazer tudo que não consegue fazer com o filho a tiracolo.
  2. Correr para apanhá-lo, percebendo que não fez nem a metade do que gostaria de ter feito.
  3. Esperar para tirar a fralda do filho por volta dos três anos de idade, apesar de sua mãe ter lhe dito que lhe desfraldou com apenas nove meses, no Brasil.
  4. Combinar com o Kita que você vai tirar a fralda do filho e que eles precisam lhe ajudar no processo, e, quando seu filho fizer cocô num canto, vir a educadora reclamar com você.
  5. Marcar a viagem para o Brasil e começar a se planejar nos mínimos detalhes muitos meses antes.
  6. Não dar Coca-Cola e açúcares do mal, na Alemanha, e chegar no Brasil, sabendo que todos vão oferecer essas tentações ao seu filho.
  7. Levar o filho ao pediatra alemão com uma listinha de coisas para perguntar e se acostumar com a rapidez e objetividade do pediatra.
  8. Não ter nem o número de celular nem o whatsapp do pediatra e na emergência procurar um pronto-socorro mesmo, afinal o pediatra não atende fora do seu horário de trabalho.
  9. Chamar um amiguinho do Kita para brincar com seu filho, a mãe lhe entregar uma bolsa com fraldas e esquecer de apanhar o filho na hora combinada.
  10. Depois de ficar inúmeras vezes com o amiguinho do filho na sua casa, pedir à mãe do amiguinho para ficar com o seu filho e ela se recusar com uma desculpa esfarrapada.
  11. Se descabelar e fazer a festa de aniversário do filho nos moldes brasileiros com doces, salgados e muita decoração e ouvir dos convidados que aquilo foi um exagero, mas que eles vão adorar vir na próxima festa.
  12. Lavar a roupa para brincar na chuva (Matschhose), quando ela chegar imunda em casa e depois de algum tempo deixar ela suja mesmo, já que no dia seguinte ela vai ficar imunda de novo.
  13. Ensinar o filho a escovar os dentes depois do almoço, para no Kita eles dizerem que não vão escovar os dentes do seu filho.
  14. Comprar uma Laufrad (bicicleta sem pedal) e passar a tarde toda correndo atrás do seu filho, xingando o veículo cada vez que seu filho atravessa a rua feito um kamikaze.
  15. Ler um livro escrito em alemão para seu filho em português, já que o estoque de livros em português se esgotou.
  16. Implorar aos parentes e amigos do Brasil para trazerem livros, CDs e DVDs brasileiros para seu filho, quando vierem lhe visitar.
  17. Ficar mais feliz que pinto no lixo quando seu filho receber algum material em português e, se bobear, seu filho nem ligará para ele.
  18. Ouvir de estranhos sempre as perguntas: “Que língua você está falando com seu filho? Ele fala alemão?”.
  19. Ouvir de profissionais de saúde, educadores ou professores que é melhor falar apenas alemão com seu filho, para não confundir a cabecinha dele, hein?
  20. Desistir dos grupos de mães brasileiras, no facebook, porque as discussões são sempre muito acaloradas e você não tem tempo para este tipo de coisa.
  21. Entrar num grupo de mães brasileiras na Alemanha, no facebook, e se sentir bem mais em casa.
  22. Vestir seu filho feito príncipe ou princesa e ele/ela rolar na areia do parquinho até ficar um bife à milanesa cinza.
  23. Depois de visitar 10 Kitas, descobrir que sua escolha não foi a melhor possível. Então ir visitar mais uns cinco, para trocar seu filho de Kita.
  24. Aprender a sair de casa com os filhos sempre que o sol sair, nem que seja por meia hora até a próxima chuvarada.
  25. Aprender a cozinhar e comer qualitativamente melhor, por causa do filho e comer o chocolate escondido dele.
  26. Aproveitar as promoções de supermercados baratos para roupinhas e outras coisinhas do dia-a-dia.
  27. Virar fã da Amazon e cliente Prime, porque dá para comprar tudo de criança na página deles e ler as críticas, dizendo se vale a pena ou não.
  28. Passar a escrever as resenhas para a Amazon, depois de virar cliente vip deles.
  29. Enfeitar a casa na Páscoa e Natal como nunca enfeitou no Brasil, afinal as crianças curtem e você também, né?
  30. Estudar alemão enquanto o filho está no Kita e perguntar para ele se é der, die ou das Tier, pois ele já fala o idioma melhor que você.

Para ver a parte 1, clique aqui Ser mãe – parte 1.

 

 

Ser mãe/mulher na Alemanha é… (Parte 1 – bebês)

  1. Ir ao ginecologista e não receber nem um aventalzinho para fazer o exame papanicolau.
  2. Contar eufórica sobre a gravidez, revelar o nome do bebê bem antes da hora e não obter nem um sorriso do seu interlocutor.
  3. Fazer transvaginal, mesmo estando grávida.
  4. Começar a comprar as coisinhas do bebê e do quarto dele nos primeiros meses e ouvir de algumas pessoas que ainda é muito cedo, que no primeiro trimestre é melhor nem revelar que está grávida para ninguém, porque nunca se sabe, né?
  5. Receber um pacote de roupas e fraldas de bebê que foram do marido, já lavadas e passadas, prontas para serem usadas, já que a sogra guardou tudo bonitinho no sótão, para quando os netos chegassem.
  6. Poder comprar roupinhas e coisinhas lindas de bebê, pela internet ou em lojas, que custariam uma fortuna no Brasil.
  7. Poder comprar coisas de bebê de segunda mão, por um valor bem baratinho, num mercado das pulgas (Flohmarkt). Aprender até a pechinchar.
  8. Fazer a matrícula do filho numa creche ou Kindertagestätten antes que ele nasça, para garantir a vaga, pois do contrário periga de você ficar com ele em casa até ele completar 6 anos de idade.
  9. Poder ter um parto natural assistido ou até em casa, sem ter que quebrar o pau com os médicos, clínicas etc.
  10. Ficar sem anestesia peridural, porque o médico ou a parteira acham esta desnecessária.
  11. Ter uma parteira que vem em casa, lhe acompanhar no resguardo e observar o desenvolvimento do bebê.
  12. Voltar para casa depois do parto, com o bebê no colo e ter que encarar de cara a rotina completa da casa e do bebê, sem ajuda de empregada, enfermeira, babá ou mãe, que não pôde vir do Brasil. Contando com aquele marido alemão compreensivo e prestativo!
  13. Ficar sem dormir a noite toda, porque o bebê não pára de chorar e só quer colo. E não há uma vovó disponível, para aliviar a barra.
  14. Botar o bebê para dormir na mesma cama que você, pois assim fica mais fácil de amamentar e não ter que levantar à noite. Afinal de contas o que importa é dormir e que se dane o que os outros possam pensar.
  15. Levar o bebê junto para fazer exame ginecológico e levar o bebê pra tudo, afinal não existe uma alma caridosa que fique com ele, por umas duas horas, para quebrar seu galho.
  16. Não obter nem o apoio para a amamentação e nem obter informaçoes sobre a introdução alimentar do bebê junto ao pediatra do filho.
  17. Esquecer de pentear o cabelo, lavar a cara antes de sair, depois de uma noite punk com seu bebê.
  18. Sair de qualquer jeito, com a roupa com manchas de golfada ou catarro da criança, já que o resto da sua roupa ainda está por lavar.
  19. Esquecer os saltos altos e roupas mais chiques no armário, afinal a highlight do dia  é ir ao parquinho, empurrando carrinho de bebê, para colocá-lo no balanço e depois deixar que ele se acabe na areia com as outras crianças, mesmo que você odeie areia, a não ser que seja numa praia tropical.
  20. Se admirar com a higiene de mães alemãs com seus rebentos, que se arrastam livremente pelo chão. E aprender a liberar geral, relaxar e deixar o seu filho fazer igual. Afinal vitamina S nunca matou ninguém.
  21. Comprar o primeiro veículo infantil, para poder variar com o carrinho que você empurra o dia inteiro, por alguns anos seguidos. De preferência aquele velocípede que você mesma consegue empurrar e que a criança vai crente que está pedalando.
  22. Ir ao açougue e o açougueiro colocar um pedaço de salsicha na mão do seu bebê de 8 meses.
  23. Deixar seu bebê com sua sogra e fazer inúmeras recomendações sobre a higiene e alimentação do pequeno e ela não fazer nada do que você pediu. Entupiu seu filho de chocolate, não trocou a fralda e deixou ele comer areia do parquinho.
  24. Escutar as amigas do Krabbelgruppe contar que os filhos já dormem a noite completa, de 7 da noite até as 9 da manhã. E descobrir um tempo depois que era tudo mentira.
  25. Ouvir de algumas pessoas que não é necessário escovar os dentes do bebê, já que eles são de leite e vão cair de qualquer forma.
  26. Não receber nada do marido, no dias das Mães, afinal você não é mãe dele, né?
  27. Levar o filho no pediatra, convencida de que ele está com a gripe suína ou  a peste, e sair do consultório sem nem uma receita para um antibiótico.
  28. Descobrir que a vacinação é um direito e não um dever na Alemanha.

Mãe na Alemanha faz tudo ou quase

Ser mãe na Alemanha é ser meio super-mulher, porque não há para quem delegar muitas tarefas, como às vezes é possível no Brasil. A lista de tarefas começa com a limpeza e a arrumação da casa, passando pela cozinha, lavar, secar, passar roupa (quando dá ou quando queremos) e fazer todas as compras de comida. E no centro da lista estão os cuidados com o bebê: acordar para amamentar ou dar mamadeira, passear de carrinho, para o filho pegar um arzinho ou um solzinho, quando há, trocar fraldas, dar banho, dar colo o dia todo, inventar atividades, como cantar, pintar, ler etc. A lista é longa e tenho certeza que você, leitor, vai conseguir acrescentar mais itens a ela.

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O bom é que às vezes ao lado da super-mulher existe um super-homem, que divide as tarefas, encara limpar um chão de vômito, quando acontece um acidente nuclear, trocar a fralda, cozinhar ou levar a criança pro parquinho. Há muitos super-homens entre os homens alemães, tenho quase certeza. E chega um ponto em que é possível terceirizar os cuidados do bebê com uma creche ou Kindertagestätte, pelo menos algumas horas por dia. Mas a super-mulher pode querer retornar ao seu trabalho quando estiver nesta fase, então ela terá menos tempo ainda para si mesma, viverá correndo mais ainda, para dar conta da sua lista em menos tempo ainda.

Me lembro da primeira vez que deixei minha filha de quase 2 anos, por três horinhas num grupinho de crianças de uma igreja. Saí correndo para fazer mil e uma coisas sem ter minha bebê a tiracolo, em vez de deitar num sofá e ler um livro ou ir até o centro da cidade, bater perna e comprar uma roupa nova. Eu ainda era muito preocupada com a limpeza e organização da minha casa, tudo tinha que estar nos trinques. Hoje em dia, tenho plena certeza que faria diferente – iria relaxar em letras maiúsculas!

O incrível é que com o tempo a gente acaba se acostumando e tudo vira rotina. Pode até ter uma noite muito mal dormida, mas dá um jeito para funcionar no dia seguinte, para dedicar o tempo que tem aos filhos que às vezes são insaciáveis. “Brinca de novo, mamãe!” “Canta de novo!” “Mais uma vez!”… Uma série de “Jinovosss” que ouvia dos meus filhos, imitando meu sotaque carioca.  Me lembro que  na fase de Kindergarten dos meus filhos, eu vivia com um paninho na mão, brincava de limpar e arrumar com eles, de fazer compras também acompanhada por eles – meus filhos enchiam o carrinho rapidinho. E comecei a priorizar o que era mais importante na casa, a explicar para as crianças que, se eles deixassem eu fazer uma tal coisa rapidinho, depois eu teria mais tempo para eles. Se eles ajudassem, então iríamos fazer aquele passeio que eles adoravam… Por muito tempo andei com três sombras: a minha própria e duas pequenininhas.

Quando minha filha tinha uns 3 anos, tive que ser operada e tinha que ficar de molho umas 8 semanas depois da operação. Algo como uma mission impossible, principalmente porque sem família na Alemanha, não havia alguém para quebrar um galho. Naquele tempo, eu deixei a casa cair pela primeira vez. Foi bom. Foi importante, para eu saber que ninguém iria morrer, que tudo se dava um jeito. E que depois de recuperada, tudo voltaria ao normal, ou quase.

Depois veio a escola e eu achei que ia ser um capítulo até mais relaxante. Rapidinho minha filha estava indo e voltando sozinha da escola. Cidade pequena, as crianças todas andam a pé, não dava para fazer diferente. No começo eu com o coração na mão, me escondendo atrás de árvore e poste, para ver se ela ia pelo caminho direitinho, e na volta, às vezes pegava o carro e fazia o percurso dela, para me certificar que ela não estava  perdida, que não tinha acontecido nada. Nesta fase, eu acoplei a tarefa de checar o dever de casa, de explicar a matéria, que ela não tinha entendido, de estudar junto para as provas e participar ativamente nas atividades da escola àquela minha listinha não muito curta. E há um tempo são dois na escola e a lista cresceu mais ainda.

Há uns dois ou três anos tirei da lista as noites mal dormidas. Elas são raras. Fraldas  e mamadeiras também se foram, obrigada, de nada. Mas surgiram tarefas menos físicas e mais emocionais com as quais tenho que lidar. Amizades nem sempre bem-vindas, problemas com outras crianças na escola, conflitos para dar suporte e ajudar a resolver, discussões sobre o que nós não permitimos, filhos tentando convencer de que poderia ser permitido etc… Há um ditado em alemão que diz: “Kleine Kinder kleine Sorgen, große Kinder große Sorgen” (Crianças pequenas, pequenas preocupações; crianças grandes, grandes preocupações). Antigamente eu ouvia e achava que aquilo era bobagem. Estou percebendo a cada dia que passa, que é mais uma verdade da qual não escapamos.

O ano passado me trouxe uma constatação importante. Não vai dar para relaxar tão cedo, porque além dos problemas  com filhos adolescentes, teremos que lidar com os problemas de saúde dos meus pais, dos pais do marido, que estão ficando velhos, que exigem nossa atenção também. O jeito é parar de vez em quando, ligar para a mãe, pai e o sogros e afagar o ego deles. Afinal de contas, nós somos filhos. E o ciclo vai se fechar de alguma maneira, mesmo que a casa caia, né?

Nós aprendemos a relaxar de uma outra maneira também. Hoje, por exemplo, minha filha fez uma parte do almoço, descascou as batatas e legumes e os cozinhou, enquanto eu passava roupa, para adiantar, e me livrar da tarefa ingrata no feriado. O filho ajudou na limpeza dos móveis do jardim. E nós relaxamos interagindo na mesa do almoço, onde rolam os papos mais deliciosos do mundo. Então percebemos que os filhos são super-filhos, pois valeu e vale a pena investir tempo neles. O tempo passa tão rápido, quando se tem filhos!